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Este artigo foi escrito no dia 07 out 2013, e pertence à categoria Escrita em Progresso.

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Abrindo-se ao novo

A coluna “Escrita em Progresso” é feita pelo escritor, dramaturgo e encenador Juarez Guimarães Dias. Aqui você acompanha de perto a criação do romance “A Casa da Senhora H”, que revela a história da Casa de Hilda Hilst, seus espaços e habitantes, entre personagens e objetos, mitos e narrativas, no período em que foi residência oficial da autora. A obra recebeu o Prêmio Biblioteca Nacional/ Funarte de Criação Literária, edição 2012.

7 de outubro de 2013. Estreio com muita alegria esta coluna semanal sobre o processo de criação do romance “A Casa da Senhora H”, cuja protagonista é a Casa do Sol onde a escritora brasileira Hilda Hilst (1930-2004) viveu e produziu a maior parte de sua obra. O projeto tem começo aqui pelo número 7, que marca essa estreia agendada pelos queridos Anne, Fred e Luiz, o que me agradou profundamente. Assim como a Senhora H, tenho hábito de consultar os astros, possuo cadastro no Personare (informe-se) e tiro carta num tarô virtual quase diariamente. É a minha maneira de me relacionar com o desconhecido, com forças inumanas, de pensar e sentir que há muito mais coisas entre nós e o mundo (salve, Shakespeare!), essa vastidão (pra lembrar Drummond), já que nenhuma das religiões e seitas que conheci até agora satisfizeram esse desejo.

O 7 é o número do pesquisador, segundo a Numerologia, e assim Sonia Weil o descreve: “Ele entra em sua casa. Tira o sapato, coloca uma música tranquila e regula a luz para que ela ilumine suavemente o ambiente, criando um clima intimista. Pega uma bebida e se acomoda na poltrona preferida, com um livro na mão. Pronto, ele agora pode fazer o que mais gosta: ler e refletir sobre a vida. Analisar as pessoas. Pensar sobre os mistérios do universo. Ele precisa de paz e sossego. Se puder, vai morar numa chácara. Ou numa casa com quintal, com árvores e muito verde em torno. Pois ele precisa de silêncio e do contato com a natureza, para recarregar as suas baterias. Enquanto as pessoas falam, o 7 é muitas vezes fica quietinho, só observando e analisando para compreender como elas funcionam. E como as coisas são.” Depois, tirando a carta do dia no tarô, surge O MAGO, primeiro arcano maior, representado por um adolescente que tem um longo caminho a percorrer e sobre sua cabeça o símbolo do infinito. O MAGO, então, diz ABRA-SE AO NOVO e sugere experimentação de novas ideias, de um fazer diferente.

TaroMago

Assim, parece-me justo que os astros estejam em sintonia com a coluna “Escrita em progresso” que agora tem início na Literar, onde me proponho a compartilhar etapas do processo de construção do meu romance, abrindo os arquivos de pesquisa, refletindo sobre o ofício tão exigente da PALAVRA, assumindo as tempestades e as fragilidades de toda a criação. Se a literatura esteve encerrada no objeto-livro até agora (desde a invenção da tipografia e da prensa), estando separados autor e leitor e, portanto, sem grandes chances de contato e interação, com a internet e as redes sociais há um novo e potente espaço de encontro, em que o tempo de escrita e de leitura podem ser diluídos e quase fundidos. É um risco, mas toda obra nasce do desconhecido. Há o que temer? O novo é sempre assustador e nele reside (ou resiste?) a beleza das nossas incertezas, do mistério que envolve o nosso existir. Escrever a história de uma casa e revelar suas etapas é oportunidade de refazê-la, trazendo à tona narrativas, imagens, vídeos, memórias, experiências. Como Hilda Hilst fez em 1965, ergo novamente a Casa do Sol, construindo-a tijolo por tijolo diante do público leitor. Os astros dizem Amém.

Juarez G Dias_CasadoSol_Foto Jurandy Valença (2)

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saiba-mais

Juarez Guimarães Dias é mineiro, radicado em Belo Horizonte, e nasceu em 14 de abril de 1978 em Conselheiro Lafaiete. É Doutor em Artes Cênicas (Unirio), Mestre em Literatura (PUC-Minas) e Bacharel em Comunicação Social (Uni-BH). É escritor, dramaturgo e encenador, parceiro da Cia. Pierrot Lunar desde 2006, onde atua também como orientador de pesquisa de linguagem. É ainda designer gráfico e professor do Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH), onde é docente do curso de Publicidade e Propaganda. É autor de “O fluxo metanarrativo de Hilda Hilst em ‘Fluxo-floema’” (Ed. Annablume, 2010), obra oriunda de sua dissertação de Mestrado. Atualmente desenvolve o romance literário “A Casa da Senhora H” sobre a Casa do Sol da escritora Hilda Hilst, projeto contemplado pelo Prêmio Funarte/ Biblioteca Nacional de Criação Literária 2012.

De criança tem paixão por livros (com especial apreço por romances e contos) e perdia-se nas bibliotecas de familiares em busca de novas aventuras, o que o levou também a escrever literatura e a produzir jornais aos 11 anos de idade. Desde então, coleciona a produção (não publicada) de 7 romances, 29 contos, alguns poemas e letras de música, crônicas, roteiros e dramaturgias e muitos textos inacabados. Entretanto, só vai assumir profissionalmente o ofício da escrita a partir de sua experiência no teatro como dramaturgo e encenador e, mais recentemente, como escritor por meio do romance “A Casa da Senhora H”, primeira investida profissional na Literatura. Foi vencedor do Prêmio de Dramaturgia do Clube dos Escritores de Ipatinga/ USIMINAS com a peça (inédita) “Oriana tem que morrer”.

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