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Este artigo foi escrito no dia 20 nov 2013, e pertence à categoria Resenhas.

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Resenha: As Miniaturas [Andréa del Fuego]

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Acredito que todo leitor se depara ocasionalmente com um problema grave: a dificuldade em ler novos escritores. Não novos no sentido de recém-lançados no mercado, mas sim aqueles que nunca tínhamos ouvido falar e que nos deixam pensando “será?“. A prova que vale a pena se arriscar é quando conhecemos nomes como Andréa del Fuego. Eu nunca tinha ouvido falar da escritora paulista, e fiquei sabendo do lançamento de As Miniaturas quando lia sobre o prêmio José Saramago. Andréa foi a vencedora da premiação em 2012 – e mereceu cada palavra proferida no texto de escolha da banca.

Tenho medo de quebrar o encanto dando o ouro logo de cara, mas esse caso merece: As Miniaturas é sensacional. O livro é diferente de tudo que já havia lido, daqueles que nos fazem orgulhosos de pertencer a um país onde uma prosa assim potente é produzida.

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As Miniaturas é uma fantasia onírica. Ao contrário do que essa definição possa sugerir, o livro não fala de um universo criado ao longo de um devaneio (como faz o igualmente sensacional Estorvo, de Chico Buarque). Vemos, ao invés disso, a máquina geradora dos sonhos. Parece confuso, mas não é.

No livro, os personagens principais são os oneiros, pessoas cujo trabalho é guiar os sonhos de quem dorme. A ideia é mais ou menos essa: ao se deitar na cama à noite, entramos no Edifício Midoro Filho e enfrentamos uma sala de espera com horários agendados – quase uma consulta médica. Chegada nossa hora, nos encontramos (inconscientes do que acontece à nossa volta) com o oneiro que nos fará sonhar. Para buscar respostas e estimular o caminho do devaneio, ele mostra ao sonhante miniaturas de objetos do cotidiano: casas, ondas, carros, bicicletas, vasos de planta. A cada novo objeto, uma nova resposta subjetiva. A “conversa” gerada por esses estímulos sequenciais é o que constitui a essência dos nossos sonhos.

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Andréa del Fuego nos guia através do trabalho de um oneiro específico. Por um erro no sistema do Edifício, o mesmo profissional fica encarregado de uma mulher e de seu filho. Pelas regras, isso jamais deveria acontecer – um profissional não pode em hipótese alguma criar vínculos com seus sonhantes, e a relação existente entre mãe e filho faz com que seja possível manipulá-los a agir de determinada forma um com o outro quando estão acordados. As Miniaturas é narrado de forma intercalada por essas três vozes: mãe, filho e oneiro.

Embora seja um livro curto, As Miniaturas é bastante denso. Isso não significa de modo algum que a leitura seja difícil ou desestimulante. Pelo contrário: a cada página você quer entrar mais nesse universo fantástico tão próximo do real e descobrir o que as próximas miniaturas irão revelar. Os diálogos são do tipo que nos fazem pensar mais e mais profundamente à medida que vamos lendo – um pouco como o processo de cair lentamente em um sono profundo. Andréa del Fuego criou um desses livros que fica na nossa imaginação durante meses – seja sonhando ou acordados.

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Autora: Andréa del Fuego
2013, 136 páginas, Companhia das Letras

Onde comprar?
Saraiva
Livraria Cultura
- Submarino
FNAC
Livraria da Folha
Estante Virtual (novos e usados)

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