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Este artigo foi escrito no dia 05 ago 2014, e pertence à categoria Resenhas.

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Resenha: Diga o Nome Dela [Francisco Goldman]

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O nome dela é vida

Confesso que tive preguiça de ler as quase 450 páginas de Diga o Nome Dela, mas antes de julgar um livro pela extensão me apaguei ao enredo. Fiquei curioso para saber o que iria acontecer. Mesmo quando a sequência parecia ter terminado e nada mais interessante poderia vir, havia ainda muitas páginas pela frente. O que será que estava por chagar?

Acredito que a coragem de reviver uma história real e própria e expô-la cheia de pormenores para um público desconhecido e principalmente para as pessoas próximas é um ato que merece aplausos. Francisco Goldman o faz muito bem. Apesar de não ser sucinto, seu texto é rico em detalhes, algo que sempre me atrai, mesmo que às vezes seja cansativo.

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Goldman era um professor que se apaixona por uma garota mexicana, Aura, que foi para os Estados Unidos com três bolsas de estudos em literatura. Decidem ir morar juntos e em pouco tempo se casam. Com uma grande diferença de idade e contra a vontade da família de Aura, os dois vivem uma união comum, com estranhamentos e amor. Depois de dois anos de matrimonio, em um momento de férias, a jovem morre em um acidente no mar de sua terra-natal. A partir daí a história se desenrola entre os acontecimentos que antecederam e se passaram depois do fato principal.

Entre a inexistência; brigas judiciais entre ele e a família dela, que insistiu em culpá-lo pela morte; o convívio com a presença nos objetos; na incerteza de como a vida poderia ter sido se não houvesse aquele momento de mudanças; as descobertas que vieram depois da morte, Goldman se divide entre a dor e um novo mundo, em que o tempo insistiu em continuar.

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Superei o meu preconceito pela forma longa do entrecho tentando aceitar que a obra foi uma forma que o autor encontrou de expurgar o passado. Dei meus ouvidos a uma pessoa que eu não conheço, mas que precisava contar aquilo para alguém. Claro, em um bate-papo levaria menos tempo…

Quando comecei a ler o livro, já com a intenção de fazer uma resenha, pensei “se chamará ‘O nome dela é Aura’”, em resposta ao título da obra. Mas com a leitura descobri que não se tratava de uma subsistência conjugal ou sobre a vida de uma jovem. É sobre as memórias de muita gente, o sentimento de pessoas diversas sobre um determinado fato. Todos nós somos cheios de casos que completam nossas existências, mas há histórias que nos formam e nos transformam para o resto de nossas vidas. O luto, acredito, é algo que nunca deixa de existir. Estranhamente, a gente se acostuma com a dor.

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Fui benevolente com Francisco, mas adianto que por uma questão muito pessoal. No último ano eu me vi cercado de mortes de pessoas próximas. Algumas mais que outras. Umas afetaram mais o meu íntimo e outras me afetaram por abalar seres queridos. Dá medo pensar sobre isso, mas algo que eu tenho descoberto é que não há nada a ser feito. Mesmo nunca entendendo, temos que aceitar. Goldman me ajudou um pouco nisso. Perdi um primo-irmão um dia depois que comecei a ler Diga o nome dela. Apesar dos falecimentos não se esbarrarem em nada, dividir a novidade da falta com outra pessoa real te acalma. Sei que é uma ausência que nunca será preenchida. Repito, a gente se adapta… Há alguma outra forma?

Mais do que um resenha sobre uma obra literária, este relato é um desabafo. Espero, dessa forma, também a tolerância de quem termina de ler meu texto aqui.

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saiba-mais

Após o falecimento da amada, em 2007, Goldman criou o prêmio The Aura Estrada Prize que é entregue de dois em dois anos para escritoras de até 35 anos que escrevem em espanhol e moram nos EUA ou no México, países em que hoje o autor divide sua vida.

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literar-digaonomedela-capaDIGA O NOME DELA

Autor: Francisco Goldman
2014, 440 páginas, Companhia das Letras

Onde comprar?
Saraiva
Submarino
Livraria da Folha
Livraria Cultura
Estante Virtual (novos e usados)

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Um exemplar do livro “Diga o Nome Dela” foi enviado como cortesia para a Literar pela Companhia das Letras.

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