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Este artigo foi escrito no dia 11 nov 2013, e pertence à categoria Resenhas.

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Resenha: Fahrenheit 451 [Ray Bradbury]

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Em determinados momentos, alguns livros parecem nos perseguir. O verbo é estranho, mas a ideia é bem essa: como gatos fortuitos na noite, eles saem atrás de nós, se esgueirando pelos cantos e nos deixando ver um pouquinho de cada vez. Comigo foi assim com Fahrenheit 451, de Ray Bradbury.

Até poucos meses atrás, eu nunca tinha ouvido falar do autor ou da obra (não, eu também não conhecia o filme homônimo de 1966 inspirado na história). De uma vez só, em uma única semana, o livro surgiu para mim em três situações diferentes: no teste de “qual livro de ficção científica tem a ver com você” da Revista Superinteressante, em uma frase compartilhada por um conhecido no Facebook e conversando com um amigo sobre seus livros favoritos. A mensagem ficou clara: Fahrenheit 451 queria ser lido por mim. Não pude negar o convite.

Se você é desses desinformados (como eu há algumas semanas!) que não conhece Ray Bradbury, a Literar te ajuda. Bradbury foi um escritor norte-americano conhecido como um dos maiores nomes da ficção científica do século XX – tão relevante quanto H.G. Wells (Guerra dos Mundos, O Homem Invisível, A Máquina do Tempo) para o século anterior.

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Lançado em 1953, Fahrenheit 451 é um de seus livros mais conhecidos. A história se passa em um mundo futurista onde os bombeiros têm como função colocar fogo nas casas – e não apagá-los, como seria de se esperar. O motivo disso é simples: ler livros se tornou proibido. Em uma sociedade governada por televisões em 360 graus, rádios que cabem no pavilhão auditivo e uma tendência cada vez maior ao resumo, quem precisa de livros? É esse então o papel dos bombeiros: colocar abaixo as casas denunciadas por possuírem bibliotecas.

Isso já ajuda a entender o título. Quem lembra um pouquinho das aulas de ciências do ensino médio sabe que Fahrenheit é uma medida de temperatura – assim como a escala Celsius, utilizada no Brasil. Em Fahrenheit 451, o número indica exatamente a temperatura a partir da qual os livros começam a pegar fogo: 451ºF (o equivalente a 233ºC).

O livro é a história de Guy Montag, um homem que passou toda a sua vida trabalhando como bombeiro, sem parar um minuto para pensar se aquilo que fazia realmente era o certo. Aos poucos, uma série de eventos muda o modo como ele vê o mundo. Montag conhece uma vizinha que, ao contrário de todos os demais, é alguém que se atreve a gastar tempo olhando para o céu e contemplando as plantas. Pouco tempo depois, durante um serviço que deveria ser apenas um trabalho rotineiro, uma mulher que tem sua casa queimada faz com que ele se emocione pela sua perda. Com vários pequenos despertares, o protagonista descobre que existe um mundo fora dos programas de reality show e das regras cegas ditadas por seus superiores.

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Para quem já leu 1984 (George Owell) ou Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley), a ligação temática entre os três livros fica bastante clara. Se você não leu nenhum deles, a gente recomenda pra ontem! O que destaca Fahrenheit 451 dessas outras obras é que, ao contrário de um governo totalitário que comanda tudo e todos, no livro de Bradbury esse poder de controle é exercido pela mídia. Pode parecer exagerado, mas basta olhar para os lados para ver que, no fundo, a nossa realidade não anda tão distante assim do cenário descrito na obra – mesmo que a queima de livros (ainda) não seja literal.

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Autor: Ray Bardbury
Título original: Fahrenheit 451
2012, 215 páginas, Bliblioteca Azul

Onde comprar?
Saraiva
Submarino
Estante Virtual (novos e usados)
Amazon (em inglês)
Book Depository (em inglês)

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Um exemplar do livro “Fahrenheit 451″ foi enviado como cortesia para a Literar pela Biblioteca Azul / Globo Livros.

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