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Este artigo foi escrito no dia 25 abr 2013, e pertence à categoria Resenhas.

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Resenha: Helena [Machado de Assis]

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Não vou nem entrar nos méritos de Machado de Assis. Sempre imaginei ele, em sua biblioteca mal iluminada, escrevendo cartas que trocava com Eça de Queirós sobre como ser um gênio da literatura. Mas reconheço que Helena não está entre seus romances valorizados pelo público. Enquanto isso, tenho um fascínio por ele, desde criança. Quando ia à casa da minha avó, costumava assaltar a prateleira de livros em busca de um novo título da coleção Vaga-Lume. Nessas ocasiões, sempre via aquela capa, já meio caindo aos pedaços, mas com uma moça linda. Eu sempre queria escolhê-lo, mas minha tia sempre falava para deixar para depois, porque eu não iria entender.

Um dia, arrisquei e acabei lendo. Li mais vezes do que posso lembrar. E me apaixonei. Adoro tragédias, acredito que aquele sentimento de pesar combina com a tristeza de terminar um livro tão bom. A trama já é conhecida atualmente. Amor entre irmãos não é nenhuma novidade em livros e filmes. Mas se pensarmos na época em que foi publicado, em 1876, antes mesmo de Eça publicar Os Maias, em 1888, foi um grande escândalo.

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A história começa quando o Conselheiro Vale morre e em seu testamento reconhece Helena como filha e pede que sua irmã, Úrsula, e seu filho Dr. Estácio, a acolham em sua casa. Eles desconheciam a existência de Helena e a jovem enfrenta tanto a recepção calorosa do irmão quanto o desgosto da tia. Estácio estava noivo, mas percebe que não é com a prometida com quem quer se casar. Ele passa por momentos confusos, quando descobre que o que sente pela irmã vai além da amizade fraterna.

Helena corresponde, e por isso, para se afastar, resolve ficar noiva do melhor amigo de Estácio. Muita coisa acontece, e o sentimento se intensifica, até que descobrem que outro homem é o verdadeiro pai da jovem encantadora. Ainda assim o romance não é permitido pela sociedade e Helena definha de amor e culpa.

Para quem está acostumado ao realismo de Machado de Assis, pode parecer um romance até banal. Mas, já adianto: ignorar a fase romântica do autor é um grande deslize. Já nessa época ele utiliza um toque de realismo, suas primeiras insinuações aparecem nessa obra, característica que se intensifica depois.

Além disso, em Helena, o escritor já apresentava ao público questões que se tornam sua marca em outros livros: adultério, mentira sobre origem humilde, casamento por conveniência e o comportamento certo de uma dama. Sem dúvida sua escrita era a maior arma para combater os costumes hipócritas da sociedade.

Minha primeira leitura dessa obra pode ter começado como um desafio. Uma forma de provar, a mim mesma, que eu podia ler, e entender, o livro-da-moça-bonita-na-capa. Mas, garanto a vocês: as tantas outras vezes que o li, foi por mergulhar naquele universo machadiano, e me apaixonar e sofrer junto aos personagens.

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Autor: Machado de Assis
1876, 144 páginas, Domínio Público

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