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Resenha: O Homem Duplicado [José Saramago]

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Depois que José Saramago se foi (e deixou um vazio no meu coração), fiz uma promessa: a cada livro “novo” do escritor que eu colocasse as mãos, iria reler um outro. Em 2013 foi assim com Memorial do Convento (relançado pela Companhia das Letras) e As Intermitências da Morte. Nesse ano, meu projeto continua com a releitura de O Homem Duplicado.

Não, a escolha não foi aleatória: chega nesse ano aos cinemas o filme inspirado no livro, dirigido por Denis Villeneuve e protagonizado por Jake Gyllenhaal. Um ótimo momento para revistar uma das histórias que mais me marcou nos últimos anos e pegar a película com a memória fresquinha.

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Não tem como começar a falar de O Homem Duplicado sem dizer que, na minha modesta opinião, esse é o romance do Saramago com enredo mais brilhante. O livro nos guia pela vida monótona de Tertuliano Máximo Afonso, professor de história de 38 anos que acabou de sair de um divórcio e começa a apresentar sinais de uma depressão – ou um certo marasmo, como ele gosta de dizer. Após a sugestao de um colega de trabalho, Tertuliano aluga uma fita de vido para se distair com um filme, e qual nao é sua surpresa ao ver na tela um ator exatamente igual a si.

Naturalmente, Tertuliano fica enlouquecido com a similaridade a passa a tentar descobrir mais e mais sobre seu duplo. O livro avisa, mas é bom repetir aos desatentos: O Homem Duplicado não é uma história de ficção cientifica – os dois homens não são gêmeos, clones ou irmãos (e isso já dá uma boa dica do que há por vir).

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Os romances de José Saramago são sempre muito bem elaborados, é claro, mas o cuidado do escritor com a narrativa de O Homem Duplicado é incomparável. Não é demais falar que cada palavra usada no texto foi escolhida a dedo. Não há nenhuma informação desnecessária – e, se você acha que alguma parte é somente para encher mais páginas, provavelmente você não entendeu nada do que aquele trecho queria dizer.

De todos os livros que já li do escritor, esse é um dos que eu mais gosto – provavelmente por ser repleto de simbolismos. Desde o começo, a narrativa nos mostra o que virá sem que nos demos conta disso. Os elementos estão lá o tempo todo, se você tiver o bom senso de enxergá-los (“bom senso” que, aliás, é um personagem no livro!).

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Para evitar de falar mais que o necessário, vou interromper minha análise por aqui. O final do livro é simplesmente brilhante em cada frase, e não acredito que haja como terminar de ler sem ficar alguns momentos para digerir toda a história de Tertuliano Máximo Afonso. A epígrafe do livro nos diz que “o caos é uma ordem por decifrar“, e é exatamente o que encontramos nas quase 300 páginas d’O Homem Duplicado: uma série de eventos que parecem caóticos, mas podem ser ordenados para gerar um significado surpreendente. Brilhante, brilhante, brilhante – e não canso de repetir.

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saiba-mais

O filme de O Homem Duplicado recebeu o título internacional de Enemy, mas aqui no Brasil permaneceu homônimo ao livro. A estreia nos cinemas nacionais está marcada para 19 de junho, e você pode ver o trailer abaixo. Pra quem já leu o livro, acho um exercício muito bacana observar como os elementos da narrativa foram traduzidos visualmente. =)

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literar-homemduplicado-capaO HOMEM DUPLICADO

Autor: José Saramago
2008, 288 páginas, Cia das Letras

Onde comprar?
Saraiva
Submarino
- FNAC
Livraria Cultura
Livraria da Folha
Estante Virtual (novos e usados)

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