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Perfil: Franz Kafka

Samsa está em seu quarto, deitado, após acordar de forma inquieta. Suas costas estão doendo de um jeito estranho, se sente desconfortável. Quando olha para baixo não acredita no que vê: pernas finas e marrons assim como sua barriga. É quando descobre que deixou de ser homem e tornou-se um inseto.

Essa é a história de A Metamorfose, do início do século XX, conhecido como o mais famoso texto de Franz Kafka (Praga, 3 de julho de 1883 — Klosterneuburg, 3 de junho de 1924). Ele, que hoje comemoraria 130 anos, escreveu tal grotesca trama como uma metáfora sobre a vulnerabilidade humana e sua condição no mundo, que de um dia para o outro pode se tornar um nada.

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Nascido em uma família de classe-média, Kafka cresceu em meio a cultura tcheca, alemã e judia. O mais velho de seis filhos, teve uma relação conturbada com seu pai, Hermann Kafka. Formado em direito, fez parte da Escola de Praga – movimento de criação artística ligada ao realismo, metafísica, ironia e racionalidade. Essa mistura de ironia e lucidez está presente em grande parte de suas obras.

Seu primeiro livro foi Considerações, de 1908. Suas histórias mais famosas foram escritas entre 1913 e 1921. Entre elas estão A Metamorfose, O Processo, O Castelo, O Foguista, A Sentença e O Artista da Fome. Acredita-se que seus protagonistas são projeções do próprio autor, em que ele expõe seus medos, angústias, solidão e problemática familiar e social.

 

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Sua vida amorosa e sexual foi tumultuada. Em 1903, teve sua primeira relação sexual, o que lhe deu insegurança por toda a sua vida. Nesse ano também, fez sua primeira visita a um sanatório. Teve vários casos amorosos mal resolvidos, fosse por intervenção dos pais das moças ou desinteresse dele mesmo. Entre 1914 e 1924 desistiu de três casamentos.

No ano de 1902 conhece Max Brod, seu grande amigo, a quem pediu, em 1922, que destruísse todas as suas obras após sua morte. Em 1920, Kafka abandonou seu emprego em uma companhia de seguros por razões de saúde. Havia contraído tuberculose. No entanto, morreu no dia 3 de junho no sanatório Kierling, na Áustria, de insuficiência cardíaca, apesar de sofrer de tuberculose desde 1917.

Ele podia ser considerado louco, mas foi um grande gênio e pensador sobre a vida moderna, cujo legado permanece em discussão ainda hoje, atravessando séculos. Suas considerações sobre justiça, fragilidade humana e problemas do cotidiano podem ser considerados atuais mesmo após tanto tempo. 

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Curiosidade

Em 2012, depois de anos de disputa, a coleção de documentos, que inclui inéditos e documentos pessoais de Franz Kafka e Max Brod foi entregue à Biblioteca Nacional de Israel. A decisão do tribunal de Tel Aviv obrigou as filhas da antiga secretária de Brod a devolverem o espólio.

Após a morte de Kafka em 1924, o amigo e testamenteiro literário Max Brod – também escritor, jornalista e compositor – não queimou manuscritos, diários e cartas e tudo o que restava, como era a última vontade do escritor. Brod emigrou para a Palestina em 1939 fugindo à perseguição nazista, dando instruções a Esther Hoffe, secretária e amante, que quando morresse todos os documentos fossem depositados na Biblioteca Nacional de Jerusalém. O que nunca viria a acontecer.

Brod morreu em 1968 e Esther Hoffe não respeitou o pedido e ficou com o espólio. Em 1998 decidiu levar a leilão o manuscrito de O Processo, que viria a ser adquirido, pelo equivalente a cerca de milhão e meio de euros, pelo Ministério da Cultura alemão.

Esther, que morreu em 2007, decidiu deixar às filhas o espólio de Kafka, que decidiram fazer valer seu valor. Foi nessa altura que o Estado de Israel decidiu intervir, reivindicando o espólio para a Biblioteca Nacional de Jerusalém. Soube-se então que outra parte do espólio estava depositado, desde há várias décadas e ainda por iniciativa de Max Brod, num banco na Suíça.

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