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Este artigo foi escrito no dia 27 mai 2013, e pertence à categoria +Literar.

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+Literar: Kindle Paperwhite

Eu sempre fui dessas pessoas viciadinhas em tecnologia. Guardava dinheiro dos presentes de aniversário e natal pra comprar jogos de Game Boy, usava torrent before it was cool e trocava de celular sempre que a conta corrente permitia. Com o tempo fui ficando menos desesperado, e passei a encontrar na tríade celular-tablet-notebook tudo que eu precisava em termos tecnológicos. Ou quase tudo, aparentemente.

Meus livros de faculdade são absurdos. Por semestre, são 04 ou 05 volumes, cada um com 2.000 páginas. É papel pra quebrar a coluna de qualquer um. Para resumir a história, um dia eu me dei conta que não precisava ficar sofrendo com o peso dos livros (ou com a lista de espera da biblioteca) se eu tivesse um jeito de ler os livros digitalmente. Foi uma conclusão bem boba, eu confesso, mas foi aquela coisa de “como eu não pensei nisso antes?“.

Tentei colocar os pdfs no iPad, mas muita coisa me incomodava. O tamanho da tela, a luminosidade (quem tem astigmatismo sabe o que é sofrer com fotofobia), os apps de ebook com cara de gambiarra, a bateria que não durava mais que alguns dias: tudo me fazia crer que aquilo ali não era pra mim. Eu já tinha ouvido falar do Kindle há muito tempo, mas nunca dei muita bola. Eu gosto do toque do papel, adoro comprar livros e marcar as páginas e trechos que gostei. Com a chegada da Amazon no Brasil (e os preços que ficaram bem próximos dos originais), me rendi. Pesquisei os modelos e comprei um Kindle Paperwhite com retroiluminação. Posso falar? Foi minha melhor compra em 2013 até agora.

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Vou começar essa resenha pagando de designer: o Kindle é extremamente agradável aos olhos. Ele tem aquele pé no design minimalista, sem se render às firulas que muitas vezes brotam aos montes no mercado de eletrônicos. No modelo que comprei, o acabamento é uniforme: uma única película preta de toque emborrachado reveste todo o aparelho. O toque é super agradável, e o aparelho não “escorrega” das suas mãos. Falando em toque, a textura da tela touch também é de bater palmas. A sensação é de um material escovado – como se fosse um papel com textura bem leve – o que reforça a sensação de estar lendo um livro de verdade, e não um pdf em uma tela brilhante. Ah, e eu falei que a tela evita a maior parte dos reflexos? Pois é. A Amazon brilhou também na leveza e nas dimensões do produto. São 16,9×11,7cm pesando míseros 210g, tamanho ideal para segurar com uma mão só sem ficar com o braço doendo – e sem te dar aquelas temidas dores nas costas.

Meu Kindle tem tela sensível ao toque – a Amazon do Brasil vende também um modelo mais simples, com navegação por botões – e confesso que fiquei surpreso com a responsividade do sistema. Meu maior medo era comprar um leitor de ebooks que demorasse uma eternidade cada vez que eu quisesse passar de página, destacar um trecho ou escrever uma nota, e o Kindle não deixa a desejar nesse aspecto.

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Algumas coisas me surpreenderam bastante. O sistema de inkpaper é tão sensacional quanto a Amazon defende: depois de alguns minutos de leitura você realmente esquece que aquilo é um aparato eletrônico e não um livro físico. Um receio que eu tinha era de passar os livros em pdf para o Kindle e precisar dar zoom a cada segundo. Engano de principante: arquivos de texto (e não escaneados, vale destacar) podem ser convertidos gratuitamente para o formato do Kindle, permitindo que você ajuste diretamente na tela o tamanho da fonte para leitura, espaço entre parágrafos e margens laterais. E é mais fácil do que você imagina. Quando você liga o Kindle pela primeira vez e se cadastra, é criado um email pessoal @kindle.com. Para converter os arquivos (pdfs, docs, txts e alguns outros), é só mandar o arquivo para seu email Kindle com o assunto “Convert”. Simples assim.

Outro ponto forte são as marcações: cada vez que você destaca um texto (numa espécie de marca-textos digital), o sistema atualiza um arquivo .txt no sistema com a parte destacada. Assim, ao conectar o Kindle no computador, você pode copiar seus trechos destacados sem precisar acessar o livro inteiro – ótimo para fazer resumos ou para estudar depois.

Deixei o melhor para o final: a bateria. O Kindle pode durar excepcionais 08 semanas sem recarga (o cálculo da Amazon é feito considerando um uso diário de 30-40 minutos). Confesso que comigo ela costuma durar 02 ou 03: como levo o leitor para a faculdade, ele fica ligado muito mais horas por dia que o normal (e com a luminosidade ativa), o que faz com que a carga seja consumida mais rapidamente. Mesmo assim, o Kindle deixa a bateria do meu iPad com inveja.

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Obviamente, nem tudo são 05 estrelas para a Amazon. Como designer – e como pessoa crítica que sou – sou obrigado a fazer pequenas reclamações. Quando uso o sistema de iluminação com luz forte, é possível ver algumas áreas mais claras na parte inferior. Não chega a atrapalhar consideravelmente a leitura, mas é um pecado ter um aparelho tão perfeito com uma falha dessas. Uma outra coisa que me incomoda – e essa é bem mais pessoal que a anterior – é a falta de ter opção para navegação manual. Eu amo o sistema touch, não me entenda mal, mas eu sinto falta de poder passar as páginas com um botão lateral quando eu quiser (principalmente quando estou segundando o Kindle com somente uma mão). Alguns outros pequenos detalhes fazem falta: não é possível criar subpastas para organizar os livros (somente pastas, o que acaba deixando minha “estante” bem desorganizada) nem alterar os títulos dos livros diretamente no dispositivo (alguns livros, quando convertidos, vão com símbolos no lugar dos acentos).

O espaço interno do Kindle parece pouco: míseros 2gb para guardar todos os livros que você quer ler na vida; mas as coisas melhoram um pouco porque a Amazon oferece gratuitamente 5gb de hospedagem na nuvem. Ou seja: você pode guardar seus livros sem necessariamente estarem salvos no Kindle, e acessá-los (ou guardá-los) sempre que preciso.

De modo geral, é um gadget que vale muito a pena para quem, assim como eu, precisa de uma solução para não carregar tantos livros de uma vez. Eu poderia até falar aqui que o Kindle mudou a minha vida e eu nunca mais vou gastar dinheiro com livros físicos, mas quem eu estaria enganando? Papel será sempre papel, e quanto mais melhor. Nota final para o Kindle de 4 estrelinhas e meia, recomendado aos melhores amigos e com uma calorosa salva de palmas.

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saiba-mais

DICAS:

- Nem só de séries e filmes vive a internet. Milhões de livros estão disponíveis para download na rede, e existem sites especializados nisso. Sugiro também visitar o portal governamental Domínio Público (que tem download gratuito de milhares de obras) e o BookOS (principalmente para quem busca literatura em línguas estrangeiras).

- A Amazon oferece download gratuito do software Kindle para Windows, Mac, Android e iOS (iPhone e iPad). Vale para fazer um teste das funções do Kindle antes de comprar ou seu. Ou, melhor ainda, para integrar tudo: você pode ler livros no software Kindle do computador/tablet e o seu progresso de leitura é enviado automaticamente ao seu gadget. Bacana, né?

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PONTOS NEGATIVO:

- As editoras ainda não se tocaram do poder do livro digital. Não existe ainda uma editora sequer que ofereça download gratuito do ebook ao comprar o livro físico. Ou seja: para ter no Kindle os livros que você tem na estante de casa, ou você terá de recorrer aos downloads ilegais ou comprar o livro novamente. E vem aqui outra critica: os livros digitais praticamente não precisam de diagramação (já que tudo é feito pelo próprio usuário no leitor de ebooks) e obviamente não há custo de impressão. Porque raios então as editoras insistem em cobrar praticamente o mesmo preço pelo livro impresso e pelo digital? Alguém precisa dar uma sacudida nesses diretores.

- Vale sempre lembrar que a inkpaper é preta. Não adianta enfiar pdfs com imagens multicoloridas que tudo sai em preto e branco. Aliás, as imagens ficam com uma qualidade ótima no visor do Kindle.

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ONDE COMPRAR:

- O Kindle está disponível nas lojas Ponto Frio e Livraria da Vila. Pelo site do Ponto Frio você compra com frete grátis e a entrega é bem rápida. (Mais uma dica: entrando na página da marca no Facebook, você pode acessar um gerador de descontos, colocar o código do produto e comprar seu Kindle com 10% de desconto)

- Estão disponíveis 03 modelos:
Kindle Paperwhite (sem tela touch, com wifi) por R$299,00 [compre aqui]
Kindle Paperwhite Touch (com wifi) por R$479,00 – esse é o modelo discutido nesse post [compre aqui]
Kindle Paperwhite Touch (com wifi e 3G) por R$699,00 – dizem por aí que a Amazon oferece 3g gratuito, mas vale a pena conferir as condições antes de comprar [compre aqui]

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