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Este artigo foi escrito no dia 22 jan 2015, e pertence à categoria +Literar.

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+Literar: Literando em Ilhéus

Além de Gabriela

As cores, letras e as cidades de Sosígenes Costa

Passei uma semana em Ilhéus, no sul da Bahia. Amo praia, bronze, água de coco e o sotaque baiano. A cidade tem seus encantos e alguns dos principais pontos turísticos estão relacionados à Gabriela Cravo e Canela: o bar Vesúvio, o cabaré Bataclan e a casa onde Jorge Amado morou.

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Em uma noite, andando pelo centro histórico, descobri, no final de uma rua, bem perto de onde eu estava hospedado, a Igreja de São Jorge de Ilhéus e decidi ir lá na manhã seguinte. Todos os dias eu acordava as 5h30 com o sol já invadindo o meu quarto e antes que fosse liberado o café da manhã do hotel eu ia bater perna pela cidade. Quando eu voltava do templo de quase 500 anos, um casarão rosa-de-gosto-duvidoso, de esquina, me chamou a atenção. Não pela construção, já que é comum vermos casas antigas, nem pela cor, mas por uma plaquinha discreta. Até então eu achava que Ilhéus se ligava à literatura somente pelos cordéis e por Jorge Amado.

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Onde hoje funciona uma gráfica, há mais de 80 anos foi a residência do poeta Sosígenes Marinho da Costa. Nascido em Belmonte, com 25 anos se mudou para Ilhéus, onde escreveu a maior parte de sua obra e ainda trabalhou como professor primário, telegrafista, escriturário e secretário da Associação Comercial. Em 1928 começou a escrever para jornais de Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, mas só em 1959 teve seu primeiro livro publicado – e único, em vida. O próprio poeta não gostava da ideia de ver seus textos em livros, mas, cedendo a insistência de amigos, deixou que os publicassem.

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Assim que voltei para o hotel fui pesquisar quem era esse sujeito e ler alguns de seus poemas. Não me envergonhei de não saber quem ele era antes, já que, mesmo carregando prêmios pelo seu trabalho, Sosígenes não é conhecido do grande público, o que impressiona muitos pesquisadores literários.

Os poemas do escritor baiano trazem referências à fauna, flora, cores, usa figuras de linguagem e tem características do barroco, naturalismo e parnasianismo. No prefácio de uma obra póstuma, escrita por Jorge Amado, o conterrâneo de coração, afirma que Sosígenes era um “poeta social marcado por seu tempo, tão requintado e ao mesmo tempo tão popular, pois grande parte de sua obra se baseia na vida do povo e dela se alimenta – folclore, hábitos, expressões, humanismo – ele ficará nas nossas letras como uma dessas grandes árvores isoladas que se destacam na floresta”.

Mais do que uma descoberta, Ilhéus me apresentou pavões vermelhos, sereias psicanalistas, um mar verde-gaio com um pôr do sol do papagaio e deixou tudo mais bonito.

 

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