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Resenha: Memória de Minhas Putas Tristes [Gabriel García Márquez]

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Não é segredo pra ninguém: a velhice é um risco que todos corremos. Não, a gente não decidiu fazer um artigo pra te ensinar como envelhecer bem ou aproveitar melhor seus anos de juventude – longe da gente essa presunção toda. Nosso objetivo é mais simples: prestar uma homenagem a um dos maiores escritores latino-americanos da atualidade (e de todos os tempos, por que não!).

Coincidência ou não, escolhemos falar de um livro que trata da velhice na semana em que Gabriel García Márquez completa 87 anos (ontem falamos de Cem Anos de Solidão, e você pode ler a resenha aqui). Ao contrário do escritor colombiano, no entanto, a voz que nos guia pelas páginas de Memória de Minhas Putas Tristes é de um senhor na casa dos seus 90 anos que decide dar a si mesmo um presente de aniversário no dia em completa suas nove décadas de vida.

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Se engana quem pensa que, por ser um romance sobre a velhice, o narrador é um homem cansado e desinteressado. Jornalista e cronista, o protagonista (que não é nomeado) ainda se sente como um jovem, embora sábio e conhecedor das engrenagens da vida – em determinados momentos, soa até um pouco moralista. Isso muda à medida que ele se auto-descobre (e nós o vamos desvendando) e percebemos que suas atitudes têm um motivo de ser.

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Durante toda sua vida, o narrador se esbaldou sexualmente, quase sempre pagando por suas aventuras entre quatro paredes – seja literalmente com prostitutas, ou com todo o dinheiro gasto na hora da conquista. Não é surpresa, então, saber que o tal “presente de aniversário” escolhido por ele era nada menos que uma garota virgem de 14 anos para satisfazê-lo. E a gente aprende isso logo na primeira frase do livro:

 No ano de meus noventa anos quis me dar de presente uma noite de amor louco com uma adolescente virgem.

Calma! Antes que você solte gritos de “velho nojento!” ou coisas piores, a verdade é que, ao se encontrar com a garota, o escritor desenvolve uma relação muito diferente da que ele havia imaginado. Pela primeira vez – aos noventa anos! – descobre o que é dormir com uma mulher sem a necessidade do sexo, e essa simples mudança faz com que sua velhice seja mais significativa que todo o resto de sua vida de aventuras. E esse trecho abaixo (que é dos meus favoritos da vida inteira) mostra isso muito bem:

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Memória de Minhas Putas Tristes nos mostra em poucas páginas e de uma forma poética que a velhice, ao contrário do que muita gente pensa, não é estado passivo em que as coisas passam por você sem que você perceba. Eu sei que prometi não dar dicas para envelhecer melhor, mas é impossível não dizer: a descoberta de si mesmo (e do mundo à sua volta) não para por que você não tem mais 20 anos e uma cara lisinha. E isso faz toda a diferença.

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literar-mdmpt-capaMEMÓRIA DE MINHAS PUTAS TRISTES

Autor: Gabriel García Márquez
T. original: Memoria de Mis Putas Tristes
2005, 132 páginas, Editora Record

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