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Este artigo foi escrito no dia 29 jul 2014, e pertence à categoria Resenhas.

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Resenha: O Mar [John Banville]

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A rebentação de um homem

Sempre brinquei que sou filho de Iemanjá, porque sou fascinado por água. Não é a toa que o livro O Mar me chamou a atenção logo de cara, e ainda com a vantagem de ser de um autor por quem me apaixonei na primeira vez que li: John Banville.

Banville nasceu na Irlanda e, apesar de não ter um grande reconhecimento aqui no Brasil, normalmente é apontado como uma possível indicação ao Prêmio Nobel de Literatura. Tem se dedicado nos últimos anos a romances policiais, usando o pseudônimo Benjamin Black, e promete continuar nessa linha por mais algum tempo.

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Uma característica recorrente do autor é ser bastante descritivo e fazer de seus romances verdadeiros poemas. A cada página encontramos pelo menos uma bela citação. Não sou de rabiscar livros, sempre achei um pecado, mas o meu exemplar d’O Mar está lotado de asteriscos, marcando as frases que me chamaram a atenção.

Já falamos sobre o irlandês aqui com o livro Luz Antiga e sobre a forma detalhada com a qual ele escreve, rica em pormenores, o que tornam os relatos fáceis de serem trazidos para a realidade. Seguindo quase que uma fórmula entre as duas obras, Banville alterna sua narrativa entre o passado e o presente; tem uma paixão pela mãe de seus amigos da juventude e um relacionamento conturbado com a filha.

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Em O Mar, o personagem principal é Max Morden, um historiador de arte que perde a esposa Anna depois de um período doente. A partir daí decide voltar a cidade litorânea onde passava as férias de verão com a família, na infância. Morden projeta o futuro, buscando respostas nas ondas que reviram as memórias do passado.

No enredo, o personagem relembra o caminho que fazia para buscar leite na casa de Duignan, o leiteiro ruivo e engraçadinho; o encantamento que tinha pela família Grace e a comichão que sentia pela matriarca Sra. Connie; a paixão por Chloe Grace, o primeiro beijo no cinema, a percepção de realidade por estar ao lado dela; os dedos unidos por uma membrana de Myles, irmão gêmeo de seu amada; fala sobre o pintor francês Pierre Bonnard; recorda de quando conheceu Anna em uma festa e como ela chamou sua atenção; o temor que sentiu quando a esposa estava grávida da filha Claire; a mulher no leito de morte; os dias na praia, antes e agora.

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Como a ressaca do mar, que faz com que as águas se movimentem com mais força do que o normal, o oceano de Morden traz à tona as reminiscências que estavam no fundo. Como o mar, também é infinita as recordações daquele homem.

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saiba-mais

O Mar fez com que Banville ganhasse o Man Booker Prize em 2005 e o reconhecimento mundial. Foi convidado ano passado para participar da Festa Literária Internacional de Paraty – FLIP aqui no Brasil. Não é à toa. A obra também foi adaptada para as telonas em 2013, com roteiro escrito pelo próprio autor, fiel à história do livro e recebeu o mesmo nome.

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literar-omar-capaO MAR

Autor: John Banville
Título original: The Sea
2014, 194 páginas, Bliblioteca Azul

Onde comprar?
Saraiva
Submarino
Livraria da Folha
Livraria Cultura
Estante Virtual (novos e usados)

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Um exemplar do livro “O Mar” foi enviado como cortesia para a Literar pela Biblioteca Azul / Globo Livros.

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