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Perfil: Mario Vargas Llosa

Se existe um escritor com coragem intelectual indiscutível, esse alguém é Mario Vargas Llosa. Ele, juntamente com Borges, Neruda e Gabriel García Marquez, sustentam a literatura sulamericana de língua espanhola nos ombros. Claro, isso em minha humilde opinião de leitora compulsiva (diagnosticada por mim mesma, importante frisar…). Só quem vive de escrever sabe o quanto a prática é difícil, mesmo se você tiver o dom. Não bastam metáforas, nem ritmo, nem ideias. É um conjunto de elementos que fascina, informa e entretém o leitor. E raros indivíduos são capazes de provocar isso.

Llosa é um deles. Nascido em Arequipa, uma das maravilhas do Peru, só conheceu seu pai quando tinha dez anos. Depois de viver por um tempo na Colômbia, voltou a seu país, mais precisamente para Lima. E foi lá, em uma nação pobre, repleta de analfabetos e tantas injustiças, que ele se destacou. Ganhou o mundo. Levou suas histórias para outros continentes e ganhou reconhecimento e admiração.

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Recentemente, me preparando para uma viagem ao Peru e buscando uma imersão, tive a oportunidade de ler alguns de seus romances. O mais marcante, sem dúvida: Travessuras da Menina Má. E, devo dizer: que legado ele carrega consigo! Como os brasileiros desconhecem esse incrível escritor, ainda não consigo explicar… Embora a literatura brasileira e portuguesa seja riquíssima, perdemos muito por não falar espanhol como nossos vizinhos e procurar sua cultura como se fosse a nossa.

Llosa tem opinião sobre tudo, de artes plásticas a política, e nem sempre é a mais bem aceita na generalidade popular. Mas isso não importa, o que basta é que ele a tem e se posiciona sobre o que for. Além de escritor, foi jornalista, dramaturgo, professor, apresentador, tradutor, político (chegando a concorrer a presidência, a qual perdeu no segundo turno) e sonhador. Viveu na França, na Espanha, e conheceu diversas cidades, movidas por sua vontade de sair da vida comum. Sua proeza foi tamanha que em 2011 ganhou o título de marquês da nobreza espanhola pelo rei Juan Carlos I.

“A leitura convertia o sonho em vida e a vida em sonho”

Casou-se pela primeira vez aos 19 anos com a irmã da mulher de seu tio, Julia Urquidi. Separou-se em 1964 e, no ano seguinte, casou-se com sua prima Patrícia Llosa. Da união, nasceram Álvaro (1966), Gonzalo (1967) e Morgana (1974). Ele, que utiliza a internet apenas quando é inevitável, admira grandes escritores, como Proust, Kafka, James Joyce e Guimarães Rosa.

Sua obra, agraciada com um Prêmio Nobel de Literatura em 2010, fala de ditaduras, hierarquias de classes sociais, luta, realidade social, existencialismo, misturados com romances, o mundo moderno e suas inovações. Muitos dos seus escritos são autobiográficos, como “A cidade e os cachorros” (1963), “A Casa Verde” (1966) e “Tia Júlia e o Escrevinhador” (1977). Em muitos outros, encontramos a adolescência peruana, a fuga da sociedade em que vivia e a busca pelo amor impossível.

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Dentre todas suas crenças, sejam políticas, religiosas, ou apenas devaneios em uma tarde cinzenta, ele acredita, impreterivelmente, na literatura. “Seríamos piores do que somos sem os bons livros que lemos, mais conformistas, menos inquietos e insubmissos, e o espírito crítico, o motor do progresso, nem sequer existiria”. Ele compreende a importância da ficção, que sem ela ficaríamos loucos, presos injustamente em nossa realidade. Que ela nos faz livre e possibilita o encontro com nós mesmos.

Llosa, que mudava os finais das histórias que lia ainda quando criança disse uma vez que “A leitura convertia o sonho em vida e a vida em sonho”. E assim seguimos, graças a escritores como ele, transformando o ato de ler numa mistura de sonho e realidade, nos levando a pensar, a viver e, sobretudo, sonhar.

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