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Este artigo foi escrito no dia 11 dez 2015, e pertence à categoria Resenhas.

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Resenha: Maria [Rodrigo Alvarez]

Maria: Razão de guerras e dirigente da paz
Rodrigo Alvarez tinha vindo a Belo Horizonte e feito o lançamento do livro “Maria” na Casa Fiat de Cultura. Eu não fui!, mas a minha noiva estava lá e comprou um exemplar para presentear a minha mãe, que fazia aniversário por aqueles dias. Como eu amo biografias, fiquei super empolgado, principalmente se tratando de uma figura tão curiosa como a mãe de Jesus.
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Li o livro ao mesmo tempo que minha mãe. Fomos alternando a leitura e sempre conversando sobre nossas impressões. Uma vez eu estava lendo no meu quarto e ela veio me falar, meio decepcionada, que estava ficando meio cética por conta das faltas de certezas sobre vários fatos da vida da Sagrada Família.
O livro conta uma história de mais de 2000 anos sobre um tema polêmico e cheio de lacunas e incertezas. Os locais de nascimento, as idades dos personagens, datas das mortes… Mas de qualquer forma, é inegável a comoção que a representação de Maria traz desde os primeiros anos do calendário gregoriano.
Não é à toa que o subtítulo da obra é tão grande. “A biografia da mulher que gerou o homem mais importante da história, viveu um inferno, dividiu os cristãos, conquistou meio mundo e é chamada de Mãe de Deus” além de resumir a história, apresenta a personagem principal. A capa traz a imagem de uma pietá, que é uma representação artística de Jesus morto, recém retirado da cruz, no colo de Maria.
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Sem dúvidas, a imparcialidade com a qual o autor escreve enriquece a obra. Alvarez não endeusa Maria, assim como também não a coloca como uma mulher qualquer, o que poderia ser ofensivo para alguns religiosos mais radicais. Ele relata fatos, conta a história que lhe foi apresentada através de pesquisas (mas longe de ser um artigo científico, cheio de citações e “segundo fulanos”).
Rodrigo Alvarez é, atualmente, o correspondente da Globo em Jerusalém e eu sempre tive a imagem de que ele é de um jornalista jovem, que tem um emprego emocionante, vive em um lugar bem diferente, é inteligente e sempre faz as passagens no mesmo lugar. Viver em um país tão bélico e belo, cheio de história e magia deve ter o inspirado a escrever histórias relacionadas à religião. “Maria” é a quarta publicação do carioca, que já assinou “No país de Obama”, “Haiti, depois do inferno” e o best-seller “Aparecida”, que trata sobre a imagem de Nossa Senhora que foi encontrada por pescadores no interior de São Paulo e amadrinha o Brasil.
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É no mínimo curioso ler a obra sobre a Mãe de Deus, porque, às vezes, desmistifica muita coisa que a gente tem como certa desde sempre. Por exemplo, não há registros escritos reconhecidos pela Igreja católica que os nomes dos pais de Maria são Joaquim e Ana. Algumas outras “verdades” são mostradas por outros pontos de vista, além de nos contar histórias não tão populares que elevaram Maria a um patamar muito alto e que a colocaram como centro de discussões.
“Maria” foi um desses livros que me fez ter medo de terminar rápido, mas ao mesmo tempo eu queria chegar logo no final. Eu terminei de ler antes que a minha mãe. Uma noite, chegando em casa de algum lugar, vi o livro em cima do sofá, marcando poucas páginas para o fim. Minha mãe estava pendurando roupa no varal e eu fui até a área e perguntei o que ela estava achando do livro. Acabamos falando de misticismo, religião, dúvidas e crenças.
Já estava tarde quando eu conclui nossa conversa dizendo que basta você acreditar em algo para que aquilo seja verdade; que qualquer aparição tenha de fato acontecido; que Maria subiu aos céus três dias depois da morte, assim como o filho Jesus; que ela morreu virgem e imaculada; e que os três reis magos eram bonzinhos e ótimos em dar presentes…
Eu tenho minhas crenças, que podem mudar com o tempo. Tenho as minhas certezas, que não precisam de provas para que sejam verdade.
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Mais de uma semana depois de já ter terminado de ler, vi o livro na mesa do meu computador e folheei algumas páginas e só então reparei a dedicatória do trabalho de Alvarez, que é para as pessoas que melhoram o mundo com o amor de mãe, assim como Maria. Desde criança eu tenho uma adoração por essas mulheres que são mães de verdade e se dedicam aos filhos, principalmente pelo fato de eu ter uma mãe fantástica. Gostei mais do livro naquele momento! Mesmo sabendo que eu não sou o dono, ainda mais pelo abraço que o autor deixou autografado nas primeiras páginas da obra, com o nome da minha mãe, eu escondi o livro entre outros meus, para ter mais perto de mim a grande referência materna que o mundo já ouviu falar.
 
Entre as minhas principais crenças está o amor. Amém!
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