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Este artigo foi escrito no dia 14 mai 2015, e pertence à categoria Resenhas.

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Resenha: Elis Regina – Nada será como antes [Julio Maria]

És fascinação, amor

O programa de tevê anunciava o aniversário de morte de Elis Regina, com um vídeo da gaúcha cantando com o maestro Tom Jobim, direto do túnel do tempo. Tinha uns 8 anos de idade quando eu assistia televisão na casa de veraneio da minha família e, ali, descobri que Elis tinha morrido há uma década e meia. A cantora era tão presente na minha vida e memória que não soava possível ela estar morta.

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Pouquíssimo tempo depois, me entreguei àquela mulher. Desde meus 11 anos, contrariando a MTV, Elis é minha cantora predileta – o que não é algo difícil, já que ela foi, sem dúvidas, uma grande artista.  Em tempos de internet discada e CDs que custavam mais que minha mesada, me restava, ouvir uma coletânea dupla de uma série muito popular nos anos 1990 – sim, a Millennium! – e algumas canções que o Emule conseguia baixar aos sábados (depois das 14h) e aos domingos.

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Anos mais tarde, meu irmão, seguiu a tradição de levar o mano mais novo no baixo Centro. Mas ao invés de um lupanar, ele me apresentou a um sebo e eu comprei meu primeiro vinil da Elis. Na época os vinis ainda não tinham sido gourmetizados e o Elis, de 1973, custou R$4. Aos 19, com meu primeiro emprego de carteira assinada, passei a investir em uma coleção de bolachões da qual me orgulho ter todos dela.

Não seria de se estranhar que eu ficaria louco quando fosse lançada a nova biografia da cantora, Nada será como antes. A obra, assinada pelo jornalista Julio Maria, promete ser o relato derradeiro sobre a vida de um dos maiores ícones da música nacional.

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Talvez para não causar espanto aos desinformados, o autor conta logo de cara o final da história: os minutos finais de Elis Regina em vida. Maria, um estreante para mim, que nunca tinha lido nem reportagens dele, surpreende com a maneira descritiva que narra os acontecimentos, transformado em um romance. Claro que o autor apresenta dados reais e deixa claro que tudo que diz ali é fruto de uma grande pesquisa – bem no final de tudo, há uma lista com o nome de todos os entrevistados e a bibliografia que orientou o trabalho –.

Entre os fatos contados, o que mais me surpreendeu (e que eu não lembro ter lido em nenhum outro lugar) foi o affair entre Elis e o Fábio Jr. Demorei um pouco para digerir a imagem dos dois como carne e unha, almas gêmeas, mas tentei entender que ele era um galã, na época, e um eterno pegador.

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A insegurança e competitividade de Elis são sempre discutidas por aí, assim como a suposta rivalidade entre ela e as baianas Gal Costa e Maria Bethânia. Um caso que achei engraçado, relatado na publicação, foi quando a Pimentinha, apelido dado por Vinicius de Moraes, furou o olho de Beth Carvalho e roubou a canção Folhas secas. As duas gravaram a música na mesma época. Apesar de ter feito maior sucesso com a sambista, eu prefiro a versão da gaúcha…

Nunca li um livro tão rápido. Gastei quatro dias, um recorde para mim, em uma obra de 424 páginas. Elis me acompanhou da bicicleta ergométrica ao trânsito, numa seleção de MP3 que não sai do meu pendrive.

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Nos últimos capítulos, fiquei aguardando o inevitável acontecer, mas sempre com uma esperança de que o fim iria ser diferente, que algo novo iria se revelar. Mas não… O que me surpreendeu aos 8, continuou sendo verdade.

Na noite em que terminei de ler – e que fatidicamente escrevi essa resenha-, não consegui dormir. Senti falta de Elis. Um sentimento de vazio se instalou em mim. Não teria mais aquela companhia… A minha sorte é que Elis nunca vai deixar de existir!

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