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Perfil: Tolstói #SemanaRussa

Na semana em que se comemora o nascimento de Tolstói, a Literar preparou uma série de artigos homenageando a literatura russa. Confira nosso Especial #SemanaRussa clicando aqui.

Tolstói completaria 185 anos no último 9 de setembro. Suas obras o tornaram imortal mas, antes disso, viveu plenamente para se tornar (em minha humilde opinião!) o maior escritor russo. Tudo começou em 1828, quando Liev Nicolaevitch, conde de Tolstói , nasceu a 200 km de Moscou. Era filho de Nicolas Ilyitch, conde de Tolstói e de Maria Nicolaevna, princesa de Volkonsky.

Com origem nobre, ficou órfão ainda cedo e foi educado por preceptores. Em sua juventude, o sentimento de vazio existencial levou-o a alistar-se no exército da Rússia. Passava seu tempo bebendo, apostando em jogos e dedicando suas noites a se divertir com inúmeras prostitutas, por onde quer que passasse. Anos depois, já velho, Tolstói repudiaria essa fase.

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Já mais maduro, preocupado com a precariedade da educação no meio rural, Tolstói criou uma escola para filhos de camponeses. Ele mesmo escrevia o material, dava aulas e deixava de lado excessivas regras e punições. Casou-se com Sophia Andreievna Bers, dedicou-se à vida familiar, mas vivia em meio a brigas e dramas. Foi nessa época que ele escreveu livros como Guerra e Paz e Anna Karenina, que juntamente com Cossacos, A Morte de Ivan Ilitch (leia nossa resenha aqui), A Felicidade Conjugal, e tantas outras, se tornariam suas maiores obras

Embora extremamente bem-sucedido como escritor e famoso mundialmente, Tolstói atormentava-se com questões sobre o sentido da vida e, após desistir de encontrar respostas na filosofia, na teologia e na ciência, deixou-se guiar pelo exemplo da vida simples dos camponeses- que ele considerou ideal. Acabou excomungado pela Igreja Ortodoxa Russa e vigiado de perto pela segurança czarista.

Tolstói, porém, não conseguia alcançar a simplicidade em que acreditava, já que sua família cobrava os luxos a que estavam acostumados. Aos 82 anos de idade, Tolstói  foge de casa mas acaba contraindo uma pneumonia – devido principalmente a sua escolha de viajar em vagões de trens de terceira classe. Morre assim, da doença que acometia a época. Seu enterro foi seguido por quatro mil pessoas e encontra-se sepultado em sua casa em Yasnaya Polyana, Oblast de Tula na Rússia

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Neste ano, a Globo Livros, por meio da Biblioteca Azul, lançou uma biografia imperdível sobre o autor. Tolstói, a Biografia, de Rosamund Bartlett e tradução de Renato Marques, conta, em suas 640 páginas, a história e a construção desse mito, suas contradições, origens, desespero existencial e suas causas apaixonadas e apaixonantes. Em seu desequilíbrio constante, o autor viveu muitas vidas – e, seja como nobre, pobre, jogador, militar, pacifista, líder messiânico ou anarquista e niilista radical, conseguiu, por meio de sua obra, mostrar ao mundo o cenário e panorama da sociedade russa no século XIX.

Bartlett dá destaque ao casamento do gênio com Sonia. Ela que aturou traição e a perda das propriedades familiares. Outro ponto que ganha atenção da escritora é o papel de Tolstói como educador, a fundação da escola pedagógica alternativa, os livros didáticos criados por ele e as aulas dadas. Quem ler o livro descobrirá também alguns trechos sobre os processos de criação de suas obras, inspirações, comentários e os traços de sua personalidade em seus personagens.

Resumindo: leitura obrigatória para os amantes de Tolstói.

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TOLSTÓI – A BIOGRAFIA
2013, 640 páginas, Biblioteca Azul

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