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Este artigo foi escrito no dia 07 ago 2014, e pertence à categoria Resenhas.

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Resenha: Van Gogh – A Vida [Naifeh e White]

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Há alguns dias contei aqui na Literar sobre os dias que passei em Paris, mas eu deixei de falar sobre uma coisa muito importante (e que foi o que mais me encantou na capital francesa): Van Gogh. Sério. Sei que pra muita gente isso parece estranho, mas eu quase chorei de emoção quando descobri que o Musée d’Orsay estava recebendo uma mostra especial sobre o meu pintor favorito da vida inteira.

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Eu lembro do primeiro quadro de Van Gogh que descobri: eu tinha nove ou dez anos e um professora levou para a classe uma reprodução de  Doze Girassóis Numa Jarra, e foi como se uma luzinha acendesse no fundo da minha cabeça. De lá pra cá, vi filmes e documentários, comprei livros e dei zooms inacreditáveis no Cultural Institute do Google. Minha paixão mais recente, no entanto, é a biografia Van Gogh – A Vida, de Steven Naifeh e Gregory White.

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Publicado no Brasil pela Companhia das Letras, o livro não é uma compilação enfadonha de fatos sobre o pintor, mas sim um relato emocionante sobre alguém que fez de telas e tintas a forma de expressão de sua humanidade. Não é segredo para ninguém as instabilidades emocionais de Vincent, mas uma coisa pra mim nunca tinha ficado muito clara: quais foram os caminhos que levaram Van Gogh ao ponto de se autoflagelar e virar uma pessoa reclusa? Como é que um jovem promissor (e com um talento inacreditável) pôde duvidar tanto de si mesmo e da sua arte? A resposta não é fácil, mas o livro de Naifeh e White certamente faz um trabalho impressionante ao nos colocar em contato com o mundo visto pelos olhos de Vincent. Só para ter uma ideia de dedicação à fidelidade, os autores gastaram cerca de dez anos analisando cartas enviadas e recebidas por Van Gogh para elaborar a biografia.

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Desde sua infância nos Países Baixos até os últimos dias em Arles (França), conhecemos Van Gogh através de mais de 1.100 páginas em todos os momentos possíveis: na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza. O grande destaque, na minha opinião, vai para as correspondências do pintor com seu irmão, Theo – provavelmente uma das fontes mais fieis (e emocionantes!) sobre como de fato eram seus dias.

O que me deixou mais feliz, de verdade, foi poder ter esse contato com a história do artista antes de ver suas pinturas ao vivo pela primeira vez. Acho que, por mais que eu tentasse controlar os nervos, eu não estava preparado emocionalmente para ficar cara-a-cara com Céu Estrelado. Meu olho encheu de lágrimas, e bateu aquela vontade de parar o mundo naquele instante para poder mergulhar nas pinceladas de Van Gogh. (Bem clichê, eu sei, mas impossível explicar de qualquer outra forma)

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Se eu pudesse dar uma dica para o meu eu de nove anos encantado com os girassóis, eu diria “calma, você ainda tem muito mais para descobrir“. Até porque hoje, mais de quinze anos depois, eu sinto que só comecei a arranhar a superfície na profundidade da obra de Van Gogh. Enquanto isso, me aventuro em saber mais sobre seus dias – e em colecionar marcadores de texto com recortes de seus quadros ;)

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saiba-mais

Se você é como eu e queria que Van Gogh fosse seu melhor amigo (haha), não deixe de assistir o fantástico documentário Pintando Com Palavras (2010), produzido pela BBC. Com Benedict Cumberbatch interpretando de forma incrível Vincent Van Gogh, a produção se baseia nas cartas trocadas entre Vincent e Theo para recriar a vida do pintor. Sem dúvidas, uma aula fantástica de história de arte. Abaixo, o filme na íntegra.

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literar-vangogh-capaVAN GOGH – A VIDA

Autores: Steven Naifeh e Gregory White
Título original: Van Gogh
2009, 1.112 páginas, Cia das Letras

Onde comprar?
– Saraiva 
– Submarino
Livraria da Folha
– Livraria Cultura
– Estante Virtual (novos e usados)

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Um exemplar do livro “Van Gogh – A Vida” foi enviado como cortesia para a Literar pela Cia das Letras.

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