INÍCIO . RESENHAS . PERFIL . TOP 5 . +LITERAR
CRÔNICA DO DIA . AGENDA

Analisando as capas de “Blecaute” [Marcelo Rubens Paiva]

Talvez você conheça Marcelo Rubens Paiva como o escritor de Feliz Ano Velho, um relato autobiográfico sob o acidente sofrido pelo jornalista aos 20 anos que o deixou paraplégico. O que você talvez não saiba é que, além de sua própria história, Marcelo é mestre também na literatura ficcional. Desde que seu livro super premiado foi lançado, em 1982, Rubens Paiva já escreveu diversas peças de teatro, ensaios e muito mais, entre eles os romances Blecaute (1986), Bala na Agulha (1994), Malu de Bicicleta (2004) e O Homem que Conhecia as Mulheres (2006).

literar_blecaute04

A primeira vez que li Blecaute eu tinha 16 anos. Descobri o livro por acaso. Entrei em um sebo no centro da cidade procurando discos de vinil em promoção e vi essa bela capa por míseros R$8. Tinha lido Feliz Ano Velho há pouco tempo, e estava super curioso para conhecer mais do Marcelo Rubens Paiva. E não me decepcionei: Blecaute é um dos melhores livros da (escassa) literatura fantástica nacional.

A narrativa acompanha um grupo de 03 amigos que sai para explorar uma caverna do Vale do Ribeira (interior paulista). Enquanto estão lá, cai uma tempestade e eles ficam aprisionados. Quando finalmente conseguem sair, descobrem que todas as pessoas foram transformadas em estátuas, imóveis e sem expressão alguma. Vemos então a vida dos três em uma São Paulo pós-apocalíptica.

Quando terminei de ler o livro – ainda meio sem fôlego -, fui prestar a devida atenção àquela capa que tanto me tinha atraído no sebo. A edição que comprei é da Editora Brasiliense, a primeira versão lançada no mercado. À primeira vista, a fotografia mostra na parte de baixo a Terra (ou algum outro planeta desabitado?) com uma coloração esverdeada e cercada por um céu negro salpicado de estrelas.

literar_blecaute01

De repente, tive um clique. Virei o livro de cabeça para baixo e tudo fez mais sentido. Na verdade, a imagem da capa está de ponta-cabeça e mostra uma cidade imersa em um apagão total (com poucas luzes brilhando) e um céu crepusculizado. Achei a mudança de sentido promovida por essa simples rotação brilhante, e conceitualmente coerente como todo o resto da obra: muitas vezes, as coisas não são exatamente o que vemos. É preciso mudar o ponto de vista para conseguirmos, de fato, enxergar o que sempre esteve disponível aos nossos olhos. A foto da capa é assinada por Rui Mendes, fotógrafo paulista e amigo de Marcelo Rubens Paiva.

literar_blecaute03

Em 2003, a obra de Rubens Paiva foi relançada pela Ed. ARX com uma nova identidade visual e Blecaute ganhou uma capa inédita. Essa versão traz um ambiente esfumaçado com uma silhueta pouco reconhecível que se destaca na névoa. O espírito da primeira edição permanece: ver além das primeiras impressões, embora com uma abordagem um tanto mais óbvia.

Encontrei ainda uma terceira versão de Blecaute, lançada em 2007. Nessa edição, da Editora Objetiva, vemos um emaranhado de fios luminosos (como cabos de fibra ótica) que ocupam a capa e vêm representando movimento e o contraste entre luz e a falta dela. Embora esteticamente agradável e criativa, essa é definitivamente a capa mais subjetiva do livro.

literar_blecaute02

A versão que eu tenho – e também a que eu mais gosto – é sem dúvidas a primeira. Hoje em dia ela é vendida somente em sebos, e vocé encontra no Estante Virtual diversas unidades em ótimo estado de conservação e com preço excelente, Se você prefere os modelos mais recentes (apesar da capa maravilhosa, a diagramação da primeira edição realmente deixa a desejar), você pode usar um dos links abaixo.

.

literar_blecaute-capaBLECAUTE
Autor: Marcelo Rubens Paiva
Lançamento: 1982
Editoras: Brasiliense, ARX e Objetiva

- Onde comprar:
Saraiva - Ed. Objetiva
Submarino - Ed. Objetiva
Livraria Cultura – Ed. ARX
Livraria Cultura – Ed. Objetiva
Siciliano - Ed. Objetiva
Estante Virtual (usados) – todas as edições

.

assinatura-luiz

.

Comentários

comentário(s)