INÍCIO . RESENHAS . PERFIL . TOP 5 . +LITERAR
CRÔNICA DO DIA . AGENDA

Informações

Este artigo foi escrito no dia 08 jan 2014, e pertence à categoria Resenhas.

Tags

, , , , , , , , ,

Resenha: Teatro do Êxtase [Fernando Pessoa]

Texto escrito pela colunista convidada Larissa Paes. Larissa é estudante de Direito e interessa-se pela arte (em toda sua estratificação).

Livro que compilou cinco obras teatrais (entre manuscritos, fragmentos, inacabadas e completas) de Fernando Pessoa, Teatro do Êxtase se apresenta como sendo um resgate do quase desconhecido viés da escrita teatral do tão célebre poeta português.

Embora registrado que Pessoa concebeu cerca de trinta peças, as escolhidas para este livro são a sublimação do gênio poético e onírico que emergiu na estruturação dramatúrgica. A mais importante de suas peças é O Marinheiro; sendo a única peça completa e publicada em vida, publicando-a na primeira edição da aclamada revista do movimento modernista português, Orpheu, em 1915, mas escrita em 1913. Esta peça incutiu de modo primoroso a singularidade de Pessoa. Definida pelo próprio Pessoa como sendo um ‘’drama estático’’, já que, pelas próprias palavras dele:

Teatro estático é àquele cujo enredo dramático não constitui ação (…) Creio que o teatro tende a teatro meramente lírico e que o enredo do teatro é, não a ação nem a progressão da ação, mas, mais abrangentemente, a revelação das almas através das palavras trocadas e a criação de situações; criação de situações da inércia, momentos de alma sem janelas ou portas para a realidade.

Configurando-se no espectro onírico preceitos mitológicos e imemoriais, a peça é a criação de uma realidade feita através do sonho, em meio a processos ritualísticos. Dissecar mais esta peça é desfigurar sua imperatividade e poética.

Ainda apresentado mais quatro obras, agora inacabadas: A Morte do Príncipe: com alusão à obra shakespeariana, mostrando-se mais como um monólogo filosófico; Diálogo no Jardim do Palácio: como diálogo sem personificação de personagens, carrega delírios contundentes sobre a realidade do corpo, a realidade no outro. A perspectiva platônica de dissociação entre corpo e alma; Salomé: configurando-se como clama influência da obra de Oscar Wilde do mito bíblico, mas com ressonância própria e evocando a subjetividade de verdades; e Sakyamuni: peça mais espiritual desse conjunto, já que aborda a filosofia budista.

literar-teatroextase-quote

A percepção teatral de Pessoa foi perpassada altivamente pela perspectiva do teatro simbolista (movimento artístico que refutava as ideias do Realismo, no final do século XIX), principalmente pela obra do belga Maeterlinck (maior representante desse movimento). Adentrando no imaginário pela realidade residida no sonho, no aspecto subjetivo e transcendente.

Caracterizando-se como Teatro do Êxtase pela perspectiva psicanalítica: ‘’sendo um estado nervoso caracterizado pela perda da consciência da própria existência’’, pois expressa a marca indelével que evoca essas obras: a despersonalização.

por Larissa Paes

.

literar-teatroextase-capaTEATRO DO ÊXTASE

Autor: Fernando Pessoa
Organização: Caio Gagliardi
2010, 127 páginas, Editora Hedra

Onde comprar?
Saraiva
Livraria Cultura
Estante Virtual (novos e usados)

.

.

.

assinatura-todos

Resenha escrita pela colunista convidada Larissa Paes.

.

Comentários

comentário(s)